terça-feira, 7 de outubro de 2008

Quem está do nosso lado

Olá a todos, amigos!

Estive ausente por um longo período de tempo. Gostaria de ter podido participar mais da discussão das eleições 2008, da minha cidade, e das principais capitais. Porém, estive tentando viabilizar a transformação do blog Resistência Vermelha em um portal e, pensando que não levaria tanto tempo, estive guardando meus artigos e textos para estrearem o novo corpo do site. Porém, levou mais tempo do que esperei e, nesse meio tempo, porém não deixei de acompanhar o que tem acontecido nas eleições municipais. Queria poder ter comentado mais, porém na maior parte de nosso país, as cidades já escolheram seus representantes. Em vista da minha grande ansiedade em escrever e debater com aqueles que estão interessados e do fato de que nas maiores capitais a disputa ainda não se encerrou, quero escrever algo sobre os candidatos. Hoje atentarei àqueles que concorrem em São Paulo.

Como se sabe, Kassab e Marta concorrerão no 2º turno. Devemos analisar friamente a questão, antes que a principal cidade do país seja colocada a serviço dos ricos.

Não há projetos diferentes se analisarmos as propostas de campanha de ambos. Afinal, "no papel", todo mundo é socialista. Devemos lembrar que a "velha direita" e a "nova direita" não assumem seus projetos como sendo de direita, pois, por essência, um projeto conservador é, além de desumano, antiquado. A direita, para ser de direita, sempre se mascara, se esconde atrás do "social" (vide o nome do Partido "Social" Demorata Brasileiro). Assim, como o atual "Partido dos Trabalhadores". A diferença de um para o outro é que um nasceu como sendo de direita, o outro se corrompeu.
Para o eleitor que não é familiarizado com tais divisões, estes devem, antes de tudo, reconhecer a existência de ambas. Os partidos da direita mais representativa hoje são PSDB, DEM, PPS e PP. Daremos nomes aos bois: Alckmin, Kassab, Soninha e Maluf. O PT é mais complicado. Comparo o PT hoje à Polícia Federal, no sentido de que, parte dele é corrompido por Daniel Dantas, José Dirceu e outros lobistas mercenários e de que outra parte, ainda se compromete com a agenda do partido e luta para melhorá-lo, por não quererem recomeçar outro partido do zero.
O PT não é um partido de esquerda, se considerarmos que os "manda-chuvas" são lobistas de mafiosos e de que seu objetivo não é servir o povo e também se considerarmos que devidas as inúmeras concessões feitas em troco de poder, o PT foi deixado na mão de empreiteiras, empresas e banqueiros que chantageiam e corrompem o partido cada dia mais.
A diferença do PT para os partidos de direita é justamente na questão de que o PT nasceu com um projeto socialista democrata. A cartilha do PT ainda é calcada no projeto social e, resta àqueles que fazem parte do grupo de ideologia do PT, segui-la e oporem-se aos passos no caminho errado que o partido dá. Nos demais partidos citados a corrupção não é só presente, mas também é fundamento de um partido que governa para ricos. Corrupção não é só roubar dinheiro como Collor ou Maluf fizeram. Corromper-se é também submeter a máquina pública, financiada pelo suor e pelo sangue do povo trabalhador, ao interesse de especuladores e de patrões. É dar manutenção ao sistema exploratório. E esse é o principal projeto do DEM e do PSDB. Claro que se você baixar a cartilha de ambos partidos não encontrará isso nessas palavras. Mas encontrará uma palavra mágica chamada "privatização".
O que mais seria privatização, senão a desvalorização do serviço público, diminuição da participação do Estado, a ponto de entregar o patrimônio na mão de empresários, que controlarão o serviço? Empresas vivem para lucrar. E "lucro" é imcompatível com um serviço que deve atender à TODA população.

Quem administra e está no comando do DEM ou do PSDB sabe disso. Não há controvérsias em relação a isso dentro desses partidos. Fundaram o partido PARA ISSO. O PT seguiu os mesmos passos em várias administrações, verdade. Mas é justamente por ser contraditório e controverso que podemos dizer que existem pessoas que querem que o partido mantenha-se firme no seu projeto. São pessoas que têm histórias de vida transparentes, que se confundem com o nascimento do PT, que nunca participaram dessas tais administrações "podres" e uma possuem trajetória de lutas e conquistas para o povo. Se Marta se aplica a esse caso, isso é o eleitor quem vai julgar. Mas, que ao menos saibam antes dessas diferenças cabais entre os candidatos.
Marta tem processos administrativos, em função de contratos de licitações não-pagosm, que foram adiados para a próxima gestão.
Alckmin apoiado pelo DEM de Kassab pagou contratos de licitações superfaturados para empresas Alstom (investigada na França e indiciada no MP por pagamento de propina para tucanos e DEMos) e para a empresa Odebretch (embargada no Equador, tendo seus representantes presos, por construir uma usina que não dá energia).
Foram contratos de linhas de metrô (entre outras), que no final terminaram em tragédia e morte.

Clique aqui para ler a notícia na Folha sobre os moradores que estão perdendo suas casas e correndo risco de vida em função da obra mal feita (mas ainda assim, paga) pelo governo tucano-democrata.

Clique aqui para ver o envolvimento do PSDB na tragédia do metrô, que conforme a Folha Online "Até 12 dias antes do acidente, a fiscalização da obra estava a cargo da gestão Geraldo Alckmin (PSDB)/Cláudio Lembo (DEM). "

Geraldo Alckmin quando governador de São Paulo se omitiu em relação ao PCC. Jogou a PM contra todo negro pobre da cidade e propiciou um massacre de policiais, moradores de periferias e meliantes sem julgamento, e ainda se recusou a dar explicações à jornalista Australiana que quis fazer um documentário sobre o comando do PCC em São Paulo (procure pelo vídeo no Youtube).

Gilberto Kassab foi secretário do governo Pitta, apoiando Maluf, como o próprio Alckmin o acusou.

Ainda assim Alckmim, Maluf e Soninha apoiarão Kassab.

Com a última consideração, de que o presidente do DEM é amigo íntimo das organizações Globo, sugiro que pensemos bem em quem está do nosso lado.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

PIG quer extingüir tucano da Amazônia

O Presidente Lula foi recebido em ROMA, durante a semana passada, porém ao contrário de como é visto no exterior, Lula foi mostrado em sua entrevista coletiva como se estivesse sendo obrigado a se esclarecer sobre algo. No PiG aqui no Brasil, parecia mais um depoimento de um acusado do que uma coletiva de imprensa. Enfim, o Presidente falou sobre a questão da Amazônia. O Fantástico fez uma matéria (?) culpando o governo por facilitar a compra de terras na Floresta Amazônica por estrangeiros. A matéria constitui-se em 3 mentiras/omissões: A primeira foi de, nem sequer, citar o nome de gigantes do agrobusiness como Monsanto, Dupont, entre outras, que seriam protagonistas nos editoriais de qualquer jornalista meia-boca que queira falar em Amazônia, desmatamento e desenvolvimento. A segunda hipocrisia foi achar um bode-espiatório, o empresário sueco, para desmoralizar as ONGs no Brasil (esta que vem sendo a mais nova batalha do PiG). A última hipocrisia foi, como de costume, culpar o governo Lula de absurdos cometidos durante toda nossa história e, nesse caso, iniciada na gestão FHC (para variar). É a lógica mais básica da nossa imprensa corrupta: O que é bom é sorte, ou então herança deixada pelos tucanos e o que é ruim é, indiscutivelmente, obra do Lula, o presidente 3 vezes o oposto do que o PiG imagina como presidente ideal (leia o último post).

Segundo consta no livro ROMPENDO A CERCA: A HISTÓRIA DO MST - Sue Branford e Jan Rocha / Casa Amarela 2004, "Durante a administração de FHC diversos membros do governo esperavam que as empresas multinacionais, que já avançavam em todos os setores da agorindústria, passassem a se dedicar ao cultivo da terra. Carlos Nayro Coelho, do Ministério da Agricultura, disse-nos que o governo ja havia levado agricultores dos EUA, Japão e china por todo o Brasil para mostrar-lhes as vastas extensões de terra à venda. "O Brasil tem 90 milhões de hectares de boas terras aráveis, disponíveis para empresas estrangeiras". disse".

Nada mais pertinente para refrescar a memória do PiG. Para eles, o único animal que não tem NADA a ver com a Amazônia, é o tucano.

terça-feira, 3 de junho de 2008

ALSTOM: PSDB quer concreto na investigação

Cadê as matérias de capa? Cadê as matérias "especiais" sobre o escândalo.. aliás, cadê o escândalo?! É um escândalo atrás do outro. É governo TUCANO do Rio Grande do Sul na máfia do DETRAN, é deputado PEMEDEBISTA do Rio preso e solto, é TUCANO recebendo propina da Alstom em SP. E me pergunto: O que há de errado com nossa imprensa? O problema maior é que a opinião pública da classe média do sudeste (leitores do PiG) tende a achar que se não tá na capa, é porque não foi tão grave. Mas, peraí! Os escândalos em torno do PT, que na verdade vinham de Daniel Dantas, Eduardo Azeredo, Marcos Valério e ALGUNS membros do PT, falavam em alguns milhões de reais do dinheiro público. Pois a matéria da Folha de São Paulo traz o seguinte dado sobre o escândalo da Alstom:

"documentos apontam que empresas "offshore" teriam sido utilizadas para repassar, entre 1998 e 2001, até R$ 13,5 milhões em propinas para políticos e autoridades de SP, em valores atualizados. No período, o Estado foi governado pelos tucanos Mario Covas e Geraldo Alckmin".

Leia na íntegra aqui.

Isso foram apenas 3 anos! Segundo fontes do Reuters, os saques feitos para o pagamento do chamado mensalão somaram entre 2003/2004, algo em torno de 3 milhões. Em 2 anos, seguindo esse ritmo, chegaria a 9 milhões a conta da roubalheira (e olha que isso nem foi provado!). Para chegar no que o governo de SP recebeu de propina em um ano, os mensaleiros teriam que roubar por mais cerca de um ano e pouco, somando ao todo quase 5 anos das mesadinhas ilícitas. Pelas minhas contas, poderíamos dizer que o PSDB de SP poderia pegar emprestado o slogan do Plano de Metas de JK, "50 anos em 5" e colocar "4 anos em 1... de ROUBO!!".

Mas existe uma justificativa para isso não ser manchete de lugar nenhum, caros leitores. Ah, se existe! Segundo a mesma Folha de S. Paulo, José Serra, o filho pródigo da Folha e do UOL, diz que "Não há o que investigar" (?!). Ele disse isso, na cidade onde estudei por 6 anos, em Mococa, interior de SP, na inauguração de uma rede de tratamento de esgoto (a primeira, por sinal). Alckmin complementa: "Toda a responsabilidade do governo Mario Covas é minha também!".
Pois bem, quero ver ele chamar pra si, quando a jutiça na França condenar os tucanos dos consecutivos desgovernos de SP que perduram por 13 anos! Sim, porque como Paulo Henrique Amorim bem observa no Conversa Afiada, no Brasil ele vai ganhar em todas as instâncias, assim como Daniel Dantas. Mas na Europa ele não vai. Assim como Maluf e Daniel Dantas não ganharam.

Leia aqui a matéria onde Serra diz que não há nada para investigar.
Leia aqui porque os tucanos ainda não podem dormir em paz!

Enquanto isso, o PSDB de São Paulo que derruba viadutos, metrô, faz um fura-fila que não fura fila, não descobre quem matou Cel. Hermínio, não acaba com o PCC, entre outras, tem um ex-governador sem graça que diz não há nada concreto. Depende de que concreto ele está falando. Se for o concreto tucano superfaturado que desconstruiu a linha do metrô ou o viaduto que veio abaixo, não há provas dessa consistência, de fato.

Tá certo, eu já entendi. Alckmin quer algo de concreto nas investigações, contanto que ele compre o concreto.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Caracterísitca de Informação

Desde o início do RV, a característica que adotei foi de publicar poucos textos, porém mais aprofundados e mais ricos quanto possível em informações, para contrapor a velocidade alucinante de notícias mastigadas oferecidas nos veículos tradicionais de mídia. Sempre fiz isso, pois acredito que a informação bem feita é aquela que é feita ativa e não passivamente, ou seja, dando ao leitor capacidade de análise e compreensão de fatos, através de despertar nesses o interesse em ir atrás das informações necessárias para que minha teoria se faça compreendida, motivo este pelo qual sempre direciono os leitores aos links que referem-se ao que disserto. Não vejo necessidade em "informar" sobre tudo o que acontece no mundo a cada 10 segundos. O que muitos acham uma heresia, "no mundo globalizado em que vivemos, em que quem tem a informação tem o poder", saber a cada instante o que acontece ao redor do mundo é algo que qualquer "professor" de capitalismo diria ser "saudável".
Isso, até o ponto em que, por trás de tudo, esteja a intenção em fazer com que nos sintamos "incluídos" e depositemos cada vez mais nossa confiança nos grandes meios de comunicação, para sermos apunhalados no cérebro com subjetividades ideológicas e manipuladoras.
"Informação" vazia e tendenciosa não leva ninguém a lugar nenhum. O esforço aqui no RV é em debater para chegar a conclusões e alternativas sobre as raízes dos problemas atuais, focando minha crítica e minha indignação no sistema como um todo e não apenas em fatos do dia-a-dia, tratando-os como meros fatos isolados, aproveitando-me de suas singularidades, trágicas e cômicas, servindo-os à audiência como capítulos dessa sádica novela chamada Vida. Em troco de que?

quarta-feira, 28 de maio de 2008

O PAC emPACa o PIG!

Que é verdade que a mídia (PIG) é de direita, defende o pensamento reacionário e a manutenção do sistema capitalista que tanto benficia à sua elite, isso todos sabem.

Que Lula é 3 vezes o oposto disso tudo, a gente sabe. Nordestino, origem pobre e de pensamento progressista.

Mas a mídia (PIG) agora defende meio-ambiente e defende o relatório da Anistia Internacional! (Veja aqui, como o PIG defende o relatório).
Isso seria motivo para o presidente se esbaldar em gargalhadas. E talvez o PAC seja a coroação de sua estratégia que agora se evidencia, mas que a esquerda mais radical entende tão mal quanto a direita e a mídia golpista. É uma estratégia a se dizer, no mínimo, astuta. E Lula pode se considerar o presidente mais perspicaz de nossa história. Afinal, com suas manobras políticas e ideológicas, está sendo o presidente que tem tudo o que tiveram Vargas e Jango, em um só. Me explicarei.

Quando Lula ganhou a eleição, o PIG atribuiu provavelmente a sua vitória a um lapso da oposição, ou talvez, à incompetência dos concorrentes. Mas subestimaram a força de seu governo. Para eles, qualquer mequetrefe comunista que se sujeitasse a fazer reforma agrária, a estatizar empresas etc, seria escurraçado pela elite, pela mídia, pela classe média (que sonha em ser elite, e nunca será), por Washington e toda a galera golpista-neoliberal derivada. E foi aí que Lula (e não o PT) foi visionário. Ele fez o inesperado por todos. Não fez nada nos moldes socialistas tradicionais e transformou os neoliberais. Através de programas sociais e econômicos, o Brasil melhorou a vida dos pobres e avançou com a economia, ao mesmo tempo. Algo que a esquerda não acreditava, devido ao seu forte idealismo enraizado nas alas provenientes dos movimentos de 68 e do regime militar, e que a direita ignora ou atribui a sorte.Alguém que não gosta do Lula, pois acreditou em tudo que a Globo e a Veja o acusaram, vai dizer que ainda existe violência, má gestão, saúde precária, educação inexistente... e cairá no que o PIG tenta convencer: o que tem de bom é sorte o que tem de ruim há, no mínimo, 500 anos, é culpa do Lula. O problema não é ver se ainda há ou não problemas no país, afinal, claro que há! E sempre vai haver! A questão é o empenho do governo em minimizá-los a curto e longo-prazo. E isso, qualquer um que ainda duvide, pode pesquisar que vai achar!
Voltando à astúcia do governo, a oposição achou que seria fácil descreditar um governo trabalhista até que este sucumbisse. Afinal, a esquerda é o inimigo natural da direita. Mas o que fazer quando o governo faz o que qualquer governo tucano faria? Só que, para contrapor, faz de melhor o que qualquer governo socialista faria?

Quando digo que a coroação dessa estratégia foi o PAC, me refiro a 2 fatos recentes evidenciaram o desnorteamento, a falta de argumentos, falta de idealismo, falta de ética, falta de compromisso com o país, falta de atitude e IMATURIDADE dos opositores de Lula. Os dois fatos são: As obras do PAC nas proximidades do rio Xingu e o Relatório da Anisitia Internacional em relação ao Brasil. Os temas foram um dilema para o PIG. Eles simplesmente não conseguiram enxergar, nessa peça pregada pelo governo, o que deveriam achar disso tudo.

No primeiro episódio, sobre o PAC no Rio Xingú o dilema era: EmPACar o PAC X Marginalizar os Índios. Optaram por fazer um pouco dos dois e acabaram brandos e contraditórios. Não podiam marginalizar muito os índios, como de costume, pois, para isso, teriam que legitimar as obras do PAC. E o inverso disso também não funcionaria, pois teriam que legitimar a soberania indígena, o que afirmaria o neoliberalismo como uma política opressora.

No segundo episódio, agora o da Anistia, o jornal O Globo e a Folha Online defenderam o Relatório. Estes, que sempre marginalizam instituições de Direitos Humanos e sempre apóiam as operações do BOPE nas favelas, chegaram até a falarem em "assassinatos", quando dizendo das operações nas favelas. Mas de novo, culparam o PAC pelos desrespeitos aos Direitos Humanos. Os leitores mal-informados dessas corporações de mídia discutem: "A Anistia não presta!". Me pergunto: Estão eles defendendo Lula? Outro diz: "O PAC é um lixo". Estão eles defendendo os Direitos Humanos, os pobres favelados nas mãos do BOPE? Em qualquer uma das hipóteses, o PIG tomou uma rasteira: Sua fabriquinha de subjetividades não está funcionando com esse presidente que governa para gregos e troianos.

"Brasil: Um país de todos", lembram? O seu significado, assim como sugere, agrada a todos.

Em tempo: Talvez a pergunta de PHA esteja respondida. Ele tinha dúvidas sobre porque o Lula não enfrenta o PIG. Porque ele quer dar o nó no PIG.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Reflexões de 1º de Maio: Profissional

Quem nunca ouviu a frase: "Você deve separar o profissional do pessoal" ? É sobre isso que me auto-indaguei durante o Primeiro de Maio. Estava eu nas comemorações de 1º Maio em Campinas, onde pude perceber que essa festa tem um grande caráter socialista e classista. "Standes" da União da Juventude Socialista, do PCdoB, da CUT, Força Sindical e várias outras centrais sindicais do país promoveram o evento. Posteriormente militantes do PTB bradavam suas bandeiras.

Durante o evento era sorteado um carro. A multidão se amontoava em volta dos representantes da empresa que dera o carro para sorteio perguntando-os sobre horário do sorteio, distribuição de cupons, entre outras informações. A moça que respondia, estava sendo grosseira, atravessando a todas as perguntas com respostas do tipo: "Eu não sei de nada, só estou dizendo o que me passaram". No momento, tentei compreender o fato de essa pessoa ser uma assalariada, tanto quanto todos os presentes, e de que não era nada agradável trabalhar no feriado. No entanto me veio à cabeça: "Profissionalismo". Comecei a filosofar sobre isso, então.

PROFISSIONALISMO

Na concepção do profissionalismo, o comportamento correto dessa trabalhadora deveria ser de, como representante da empresa que sorteara o carro, fornecer as informações com um mínimo de respeito aos participantes do concurso, sendo educada simplesmente e atendendo aqueles que justificam sua presença ali. Percebi então que, se por um lado, sermos profissionais nos atribui uma ética de conduta para com as pessoas, na condição de clientes, como estes sendo a razão da existência de nosso posto, por outro lado, é uma permissão para nos distanciarmos do respeito ao próximo na condição de pessoas, cidadãos.
A medida em que a conduta "profissional" se torna um pretexto para submetermo-nos às condições impostas no trabalho, que muitas vezes são adversas e até mesmo contra nossas naturezas ética, étnica, cultural, religiosa, moral e humana, as relações de trabalho entram em atrito. O patrão que demite o funcionário que tem família para sustentar, contas a pagar e que provavelmente não conseguirá outro emprego tão fácil, livra-se da consciência ao estar exercendo o papel de patrão e tudo que isso significa no seu ambiente de trabalho ou na sociedade. Ele não tem culpa pessoal pela desgraça do seu funcionário, pois isso compete à esfera profissional. Lhe permite focar-se apenas no bom funcionamento da empresa para qual trabalha e de qual é cobrado por tal conduta de "profissionalismo". Não importa, nesse caso, o que é ético. Importa o que a empresa e seus patrões em questão julgam ser ético. Não é raridade, no entanto, empresas julgarem ético aquilo que lhes beneficiam em números. Isso vaza a cada nível dentro de uma empresa, forçando trabalhadores a romperem qualquer vínculo "humano" com seus semelhantes, dificultando a união de classe. Para o "profissional", não é possível enxergar outros níveis hierárquicos como sendo semelhantes a ele. Dentro da empresa, patrão é uma "raça" diferente, segundo essa conduta. Ao perceber isso, os funcionários também a adotam, distinguindo assim, chefe de pessoa.

Sendo assim, então, eu acho que patrões não deveriam mandar funcionários embora, certo? Errado. Definitivamente não acho que seja por aí. Não podemos abusar desse conceito perversamente, porém. Não podemos simplesmente ignorar o esforço do trabalhador e sua condição social em relação ao que a empresa o oferece e apenas contabilizarmos os números. Isso é uma conduta primitiva, mas muito aceita e corriqueira, ainda. Desrespeitos a outros trabalhadores, no entanto, não deveria ser tolerado nesse "regime". E é totalmente o inverso.

PAPEL DA SOCIEDADE

Com visões distorcidas sobre profissionalismo é que a sociedade civil cobra cada vez mais dos trabalhadores, sem também considerarem suas condições, que muitas vezes são degradantes e ainda enfrentam trabalho caseiro diariamente, ao cuidar da família, da casa ou o que quer que seja. Eu achei que a moça estava sendo mal-educada. Mas a coisa se distorce, a medida em que essa atitude ativa nas pessoas o sentido de mercado e desperta o ser "profissional": "Se eu fosse o chefe dela, punha na rua!". Não paramos para pensar, porém, que a culpa pode TAMBÉM ser do chefe. Na medida em que este não proporciona condições agradáveis de trabalho.
A falta de respeito do funcionário com o cliente, também é gerada por uma visão deturpada de "profissionalismo". O funcionário enxerga o cliente como a "preciosidade" do patrão e por isso o ataca. Já que não pode atacar o patrão, desconta no fruto de seu lucro. Esquece que quem está do outro lado é uma pessoa e também trabalhador, provavelmente, e então perde o senso humano e pessoal ao enxergar o cliente apenas como mercado. Afinal, no horário comercial, a sociedade resume-se a produtos. Somos vítimas do profissionalismo. Não podemos condenar trabalhadores sob esse pretexto.

Não discurso aqui contra o chefe, nem contra o empregado. Digo a favor da justiça e da melhora da condição patrão x empregado. Nenhum deve ser julgado anteriormente, na minha concepção, condenados pela conduta "profissional". Isso é um erro. É a licença para sermos insensíveis em relação a nós mesmos.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Resistência em destaque: Entrevista

Olá amigos.

Graças aos bons e honestos jornalistas brasileiros (e ainda existem muitos), o Resistência Vermelha está ganhando voz.
Após as últimas maiores repercussões, o colega Rodrigo Pereira, estudante do 3º ano de jornalismo pela PUCC, me solicitou que concedesse uma entrevista a fim de levantar um perfil da "classe blogueira política" que ascende com força no Brasil na luta contra a mídia corrupta e de proporcionar um debate jornalístico em torno da cobertura regional da mídia aos nossos movimentos sociais e ainda discutir sobre a blogosfera.

A entrevista foi dada ontem, dia 24, e em breve estarei disponibilizando-a aqui no RV.

Agradeço o convite ao colega Rodrigo.

Força!